segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Quando os produtos culturais sabem a aveia e coco

A culinária entrou definitivamente nas nossas atividades preferidas. Tocar, cheirar e provar são realmente sentimentos privilegiados em sala e estes momentos enfatizam o quão importante é sentarmo-nos em grupo e construir conceitos desde tão cedo.
Desta vez, e partir da sugestão de uma família, visitámos o blog apitadadopai e confeccionámos uns biscoitos de aveia e coco. Para além de utilizarmos ingredientes do nosso quotidiano - a banana, a aveia e o coco - juntou-se uma novidade - o molde de biscoitos. 
De facto este foi o momento alto da atividade. O poder moldar uma massa com as mãos precedeu o momento de perceber a técnica de molde e reproduzi-la de forma tão entusiasta!
 
Molde a molde, biscoito a biscoito, saboreámos estes nossos produtos culturais de forma em especial, num lanche diferente!

Um natal construído com mãos pequenas e outras maiores

O verdadeiro sentido de natal entrou na sala de mãos dadas com a Sala da Mariana. Começámos por enviar um convite em tom de desafio para estes pares nos ajudarem a construir uma árvore de natal para a sala.
A Sala da Mariana logo abraçou este desafio com uma chuva de ideias de técnicas de expressão plástica a explorar connosco. Para além disso, sugeriram-nos construir a árvore com formas geométricas já que este interesse surgiu na sala destes nossos parceiros.
O processo iniciou-se, em pequenos grupos, que invadiram a nossa sala com as mãos cheias de garrafas de tintas coloridas, esponjas, folhas diversas e afins.
 
Para além de um processo verdadeiramente partilhado, estes momentos despoletaram crescimento e aprendizagens já que estas , para muitos, foram as primeiras explorações neste domínio. Desde para que serve a cola, como se usam os pincéis e até como podemos utilizar rolhas e esfregões para pintar, múltiplas foram as experiências vivências.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Numa viagem aos interesses da sala

A forma como os interesses surgem numa sala de creche deriva de diferentes fontes de conhecimento que o meio nos trás. Seja a partir de uma partilha de casa, de uma visita de outras crianças à sala ou até da riqueza do ambiente do dia a dia, diversas são as situações em que a curiosidade se aguça, ou até vários momentos se alinham para a reforçar. 
Foi o que aconteceu quando a M. M. partilhou com a sala um livro com imagens reais de vários animais. A partir de uma leitura em pequeno grupo, logo dois braços pequenos puxaram uma caixa de figuras de animais e desta riqueza as primeiras associações. Entre sons e características físicas, vários foram os diálogos em redor deste interesse da sala.
Noutro momento, e ao ouvirmos a comunicação do projeto da Sala da Mónica sobre as galinhas, surgiram interessantes diálogos sobre este animal da quinta, os seus ovos e até canções a seu respeito. Com a ajuda deste grupo de crianças de 5 anos, criámos na sala um registo com imagens reais de vários animais da quinta que está  ser enriquecido gradualmente.
Porque não depois contar com a riqueza do meio escolar que nos rodeia? Foi o que aconteceu quando o coelho Alberto da nossa escola nos visitou para um contacto direto com um dos animais mais queridos nas nossas leituras.


Decerto estas experiências irão continuar, nesta fascinante viagem por tornar as trocas em sala tão especiais e significativas - ampliando o stock de conhecimento de crianças pequenas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

"Um bolo? Não, o primeiro bolo!"

Aquando encontrada a estabilidade emocional do grupo, é hora de por as mãos na massa. Neste sentido verdadeiramente literal, e a partir de alguns diálogos com a família, realizámos a nossa primeira atividade de culinária. Nestes momentos, já em agenda semanal, consideramos essencial ter em conta as crenças e hábitos alimentares para levar a cabo o nosso primeiro momento de cultura alimentar.
Assim, após a propostas das famílias de visitarmos alguns blogs, livros e conversas de corredor, chegamos à nossa primeira sessão de culinária. Em redor da mesa, entre cheiros, sabores e muita vontade de mexer, conseguimos viver um verdadeiro momento de diálogo e, acima de tudo, prazer.

Este momento culminou com uma partilha do bolo ao lanche com a Sala da Marta Reis como valorização e partilha de um momento que para nós foi tão importante. E que bem que nos soube este momento!

Caminhar de mãos dadas

O processo de adaptação de crianças pequenas na entrada na creche é um período sensível e de grande importância na vida de todos. Ao estendermos a mão à entrada da criança na sala, damos também as mãos à família que é confidente e parceira neste processo. Confidências como "Ela abana as pernas quando está contente" ou "Os seus alimentos preferidos são frutas!" ajudam o adulto que acolhe a melhor conhecer a criança e recebê-la no seu colo.
É com passos pequenos e suaves que os adultos respeitam a criança, garantindo-lhe o tempo que precisa para se apropriar desta nova realidade ao mesmo tempo que iniciam uma relação com a  criança que a irá acompanhar ao longo desta amizade.
Em simultâneo, e a par do egocentrismo característico desta fase do desenvolvimento,  a referida estabilidade emocional vai permitir à criança que encontre neste espaço um novo olhar que lhe permite criar as primeiras relações com os pares mais próximos.
Dois meses depois, encaramos este processo de adaptação como um crescimento de grupo, como um verdadeiro processo de formação de vínculos que decerto nos acompanharão por muitas e novas conquistas.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O diário no nosso dia a dia

No dia a dia de creche o diário ocupa um lugar privilegiado enquanto instrumento de registo do quotidiano das crianças. Englobando duas colunas, este instrumento de pilotagem, potencia uma das questões mais fulcrais no dia a dia em creche - o trabalho cooperado entre os diferentes intervenientes na vida da criança (famílias, equipa educativa e comunidade).  Neste sentido,
Mais do que realizar determinadas práticas, importa assumir a atitude de estar junto e ao lado das famílias, bem como dos colegas de trabalho, para levarmos a cabo esta tarefa tão estimulante, quão complexa, da educação das crianças nas primeiras idades. Assumimos assim a potencialidade conflitual da confluência de diversas perspectivas e saberes, bem como, de diversas preocupações, de forma a evoluir no sentido de um espaço de compreensão recíproca de diálogo e de escuta.
Folque, Bettencourt, Ricardo, 2015

A primeira coluna do diário destina-se ao registo das realizações consideradas mais significativas e é encabeçada pela palavra “Fizemos”. A segunda coluna destina-se ao registo de sugestões, aspirações e atividades a realizar e intitula-se “Queremos fazer”. A partir deste veículo de comunicação, várias foram já as propostas que surgiram, algumas das quais aqui ilustro.

A S.F, tendo passado alguns dias de férias em Viana do Castelo, partilhou com o grupo ouriços e respectivas castanhas que lá encontrou. Com muito cuidado, exploramos, abrimos e acima de tudo a S.F. teve oportunidade de partilhar uma descoberta com a família.
Já o V.D., partilhou com o grupo um livro sensorial, recheado de insectos e animais que fizeram as delícias do grupo. Respeitando o importância destas questões sensoriais, decidimos construir um livro para a sala, com a ajuda de todos e que será em breve exposto e comunicado às restantes salas.
A I.C. pedindo colo diversas vezes para conseguir espreitar para o recreio dos crescidos, despertou um interesse e necessidade de partilhar uma manhã de brincadeira com estes pares mais crescidos. Foi uma manhã de interacções deliciosas e que nos deixou muito mais ricos a todos!

Estes são exemplos práticos de como se operacionaliza de forma tão partilhada e vivida, a gestão cooperada de um currículo em creche.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Partilhas especiais com gestos especiais

As partilhas têm sido momentos fundamentais de encontro, conhecimento e construção comparticipada de conceitos. O facto de toda a escola reunir-se no mesmo espaço possibilita encontros espontâneos, recorrentes e tão especiais!



Para nós, estes momentos são oportunidades de relação, crescimento e aprendizagens tão especiais para crianças pequenas construírem o conceito de cultura humana.


Ao criar a cultura humana — os objetos, os instrumentos, a ciência, os valores, os hábitos e costumes, a lógica, as linguagens —, criamos nossa humanidade, ou seja, o conjunto das características e das qualidades humanas expressas pelas habilidades, capacidades e aptidões que foram se formando ao longo da história por meio da própria atividade humana 

Mello, S. (2007). Infância e humanização: algumas considerações na perspectiva histórico-cultural




Em primeiro, fomos convidados a participar numa atividade de massa maizena na sala da Xana, num momento de exploração sensorial cheia de cores e em companhias que estenderam as nossas descobertas.
Continuámos estas brincadeiras com a Mónica e o Berçário em redor da exploração de massa de moldar de farinha, em parceria com as crianças que nos são tão próximas do berçário.

A Sala da Mónica potenciou ainda a amplitude vocabular com o conto e partilha da história "As aventuras", que estes amigos construíram com materiais e linguagem tão adequada à faixa etária.
Já a Sala da Mariana potenciou uma atividade de exploração de folhas secas que apanharam no parque. A exploração foi deliciosa e colorida tal como as relações estabelecidas.
Que momentos tão especiais temos nós vivido!