segunda-feira, 25 de março de 2019

GinastiPAI

Olhar atentamente aos interesses de crianças e famílias, leva-nos a acuidar as nossas ações. Perceber as suas dinâmicas, bem como a forma como se interessam pelo dia a dia da escola, transforma-se numa interessante forma de construir aprendizagens e vivências.
Este foi o mote para o nosso dia do pai. Mais do que um dia festivo, este foi um dia de convidar um elemento da família a estar presente num momento da nossa rotina que tanto interesse desperta. 
Notando a forma entusiasmada como as famílias se despedem das crianças de manhã ao entregá-las num ginásio onde toma lugar uma aula de expressão motora, surgiu um convite aos pais para participar neste momento com os seus filhos. 
Este foi um momento de interessantes interaçoes  entre crianças e destas com os adultos, a par das descobertas de capacidades desconhecidas de pais e filhos. Nesta atividade contámos com o apoio do professor de ginástica, que desafiou as famílias a conhecer e participar nas nossas tarefas preferidas de ginástica.
E porque nos pequenos gestos surgem as memórias mais significativas, decidimos presentear os pais com um pequeno registo fotográfico de momentos de expressão motora. Assim, mais do que uma festividade comemorámos sentimentos, emoções e construímos memórias.

A baleia e a tartaruga levaram-nos ao primeiro projeto

As famílias enquanto reais parceiras apoiam profissionais na descoberta de interesses. Foi assim que na nossa sala surgiu uma interessante pesquisa em redor dos animais grande e pequenos. Deste modo, vários foram os exemplos trazidos até à sala sob várias formas: fotografias, livros, animais de borracha e até peluches. Assim, comunicação a comunicação, chegámos à descoberta de dois animais que muitas curiosidades despertaram: a tartaruga de couro e a baleia azul.
Após a R.L. comunicar ao grupo esta partilha de dois animais em miniatura, bem como das imagens reais dos mesmos, rumámos a mais descobertas nos livros, bem como recolhemos junto das outras salas animais semelhantes ou com alguma relação com os primeiros!

 Logo percebemos algumas semelhanças "É a ah!" (afirma a R.L. ao olhar para um ambiente aquático referindo-se à água) e "os peixinhos vivem na água!"(M.S.) foram duas afirmações sob a forma de primeiras palavras que suportaram estas descobertas.
Já com a ajuda da Sala da Xana, conhecemos melhor as tartarugas com a visita do Tico e Teco à nossa sala. Este momento de partilha fez-nos demonstrar sentimentos (receio, medo ou até o à-vontade com este animal), bem como descobrir características pela observação da dureza da carapaça e até das suas patas que servem para nadar.
Ao longo deste percurso, as histórias trazidas para a sala, foram também motor de descobertas e refletiram o envolvimento das crianças, tal como as partilhas dos irmão e outros elementos das restantes salas. 
A par desta descoberta que a baleia azul e a tartaruga de couro vivem na água, algumas crianças foram revelando interesses sensoriais em contactar com a água, em várias observações que os adultos fazem do dia a dia (o prazer em lavar as mãos, verter copos de água, etc.). Assim, com a ajuda da estagiária Patrícia, explorámos os animais de plástico numa caixa com água, conchas e areia. 
Neste momento foi essencial notar a forma como as crianças se envolveram de forma tão diferenciada na exploração. Enquanto umas privilegiaram o encher e esvaziar das conchas outras preferiram apenas observar, enquanto outras foram revelando reconhecer os animais anteriormente manipulados em outros contextos.
Todo este processo culminou na divulgação deste que foi, afinal de contas, o nosso primeiro projeto. As crianças, para além de ativas ao longo das descobertas que foram sido feitas, revelaram diferentes níveis de participação e foram integradas também nos processos de promoção de circuitos de comunicação pela escola.
Sobe a forma de uma partilha das vivências deste processo, bem como com as primeiras descobertas concretizadas, esta divulgação fez-se acompanhar de um momento de projeção do ambiente marinho, enquanto contacto com o meio aquático, num ambiente de proximidade com as outras salas.
 É aqui que o papel do educador se torna tão especial. Potenciar crescimentos e descobertas, partindo dos seus interesses e curiosidades, ajuda-nos a construir um ambiente de verdadeiras parcerias com crianças pequenas que se sentem cada vez mais integradas em processos. Desde o folhear de um livro, à  exposição de produtos culturais nas paredes, passando pela preparação de uma caixa com conchas, múltiplas são as situações em que podemos integrar crianças pequenas na construção do conhecimento.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Vamos à biblioteca?

Cultivar o gosto pela leitura e contato com a escrita desde cedo ajuda as crianças a construir ideias positivos sobre os suportes que as rodeiam, bem como as suas potencialidades. Histórias, livros sonoros, livros de imagens reais, jornais e revistas, são alguns dos suportes que podem existir nas nossas salas com os quais as crianças podem contactar e buscar informação.
Para além disso, os momentos de leitura das outras salas, como por exemplo das crianças já leitoras do 1º ciclo, apoiam o cultivar deste gosto em crianças pequenas.
De modo a tornar esta riqueza o mais dinâmica e versátil possível, é importante estabelecer rotinas que privilegiem as leituras, bem como estratégias de incluir as crianças no processo de escolha deste tipo de materiais a utilizar em sala.
   
Sentindo necessidade de diversificar o contacto com as histórias contadas pela manhã, iniciámos a tarefas de ida à biblioteca para a escolha de 5 livros a ler durante a semana, tarefa que se repetirá todas as semanas. 
Este foi um momento de grande riqueza de interacções, não só no processo de escolha como na chegada à sala em que a vontade de embarcar nestas novas histórias era já muita. 
Assim, de forma simples e muito participada, fomentamos o contacto com novas histórias, ampliando leques culturais e relacionais.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A primeira ida ao parque

Na passada semana vivemos uma experiência única de interacção no exterior. Com o sol a espreitar e as temperaturas a subir um pouco, desafiamo-nos numa ida ao parque, em conjunto com algumas salas da creche e jardim de infância.
Foi um momento mágico e único que traduz o espírito de entreajuda vivido entre quatro paredes que se estendem numa ida ao exterior. 
Desde os preparativos para a saída, bem como  percurso até ao parque, todos os momentos foram excelentes ocasiões de fortalecer relações.
Irmãos que fazem jogos de mímica, baloiços que abanam ao som de canções e até bolachas partilhadas, mágicos são estes momentos de interação entre salas de uma mesma comunidade. Venham mais momentos assim.






segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Autonomia para que te quero

Várias são as componentes que se articulam num dia tipo de sala de creche. Entre elas a autonomia tem ocupado especial lugar aos nossos olhos. Pensar na rotina e no crescimento, é pensar como podemos garantir a autonomia e a participação ativa da criança em situações simples do dia a dia em que a criança pode ter um papel central. 

a rotina diária também mantém um equilíbrio entre limites e liberdades das crianças […] devido [à sua] estrutura predizível e dos seus limites claros e apropriados, dentro dos quais elas se sentem livres para desenvolver as suas próprias formas de fazer as coisas
(Hohmann e Weikart, 2011, p.225)

De facto, neste processo, não nos podemos esquecer da segurança que a criança precisa, bem como da forma como esta se articula com o papel do adulto. Seguem-se situações pontuais onde se ilustra para que queremos esta autonomia...
Depois do sucesso do bolo da sala, fomos convidados a partilha esta receita com a Sala da Mónica do jardim-de-infância. A estes ingredientes, juntaram-se umas laranjas que o M.S. trouxe de casa. Em redor da mesa, todos partilhámos funções e claro que as mãos mais pequenas também quiseram experimentar o espremedor e porque não?!







O lanche acabou e segue-se a higiene. Para além da S.F. já perceber o momento que se segue, dirige-se à porta da sala para se preparar para ir para a casa de banho. Depois da muda da fralda, o adulto sugere-lhe a lavagem das mãos e boca, tarefa em que a S.F. participa de forma ativa e empenhada!

Num momento de preparação para o almoço, os adultos ajudam as crianças a sentar-se, enquanto aguardam a refeição. A M.F., indignada, recusa sentar-se e, quando questionada pelo adulto, aponta para a cesta dos babetes ao mesmo tempo que se aproxima da mesma e retira um babete para colocar ao amigo S.D. 

E assim se garante que a criança tem uma função social e que, acima de tudo, participa em atividades simples do seu dia a dia, numa intima relação com os adulto que o ajudam a tornar-se mais competente, já que  “a autonomia define-se pela capacidade da criança em realizar alguma tarefa sozinha, de forma independente, sem a presença do adulto. No entanto, […] temos que ir muito além dessas concepções, pois, assim como o sujeito se constitui a partir das relações com outros seres e com o mundo, a autonomia também é construída nessas relações”.
Coutinho, A. S., Day, G., & Wiggers, V. (2012)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

A primeira vez em tanto

Ao entrarmos numa sala de creche, todos os dias entramos com a certeza de que hoje será uma primeira vez em algo. Seja na exploração de um novo material, seja no primeiro beijo que se troca com o cuidador ou até na primeira palavra que soa no ar, há sempre algo de novo que a criança acrescenta ao seu entendimento do mundo.
A nossa observação, tão importante, permite-nos tantas vezes perceber a forma criativa como as crianças brincam pelo simples facto de ser a primeira vez que se deparam com algo. Este momento é mágico, não só porque sentimos que lhes estamos a transmitir qual a potencialidade daquele recurso como pela forma criativa como percebemos que a criança é capaz de analisar o mundo.

"aprender com a própria prática é uma atitude possível quando o espaço em que as crianças passam os dias é organizado para favorecer a independência e a autonomia das crianças no acesso aos objetos
(MELLO e SINGULANI, 2014, p. 38)
É nesta atenção comunicativa dos adultos, bem como na riqueza dos espaços,  que as crianças levantam as suas primeiras hipóteses, tecem teorias e reconstroem conceitos, construindo as suas redes neurais.
É também a partir desta participação ativa da criança no espaço, que o adulto é capaz de perceber os seus interesses e necessidades, garantindo que a sua acção será consecutivamente adequada e cada vez mais significativa. 

"garantir um dia tranquilo e feliz para as crianças, promove o desenvolvimento inicial das suas qualidades humanas como a percepção, a memória, a fala, o pensamento, os sentimentos."
(MELLO e SINGULANI, 2014, p. 39)

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

JUNTO - um espectáculo de proximidade

Ainda no mês de dezembro voltámos a viver uma experiência rica no exterior. Rumámos ao Teatro da Trindade para uma experiência muito especial. Para além de toda a aventura que é sair da escola, entrar no autocarro, ver os aviões e afins, o espectáculo JUNTO foi de grande interação e vivência por parte de todas as salas da creche.
"Junto é um espetáculo, uma instalação e um encontro que acolhe, aconchega e nutre de forma próxima os bebés dos 0 aos 3 anos, as suas famílias, amigos e as escolas.


Entramos num espaço em branco e estão dois corpos juntos. Duas tartarugas que não se largam, passam os dias e as noites sempre juntinhas. O espaço é um lugar quente e aconchegado, como a barriga da mãe. Aqui, neste mundo, cabemos todos: pequenos e grandes."