segunda-feira, 8 de julho de 2019

Quando crianças pequenas ajudam os mais crescidos a construir conceitos

Num momento de comunicações de manhã, e seguimento da visita de uma criança à Exposição PhotoArk, surgiu uma curiosidade interessante. Enquanto folheávamos o livro da exposição acompanhado de uma noticia da família, deparamo-nos com a fotografia de um animal que suscitou muita atenção e entusiasmo – o coiote. Imediatamente associamo-lo ao cão. De olhos arregalados e pelas primeiras palavras soaram pelo ar expressões  como "Olha...cão!...“Ao ão!”. 
Mantendo o entusiasmo e ampliando à comunidade escolar, decidimos ir às outras salas perguntar se conheciam este animal e se seria mesmo o cão. As respostas foram várias, e percebemos que, perante o leque de respostas, nem sempre certas, poderíamos ser uma fonte de conhecimento ajudando a descobrir que animal é este. 
De regresso à sala, folheámos alguns livros previamente recolhidos na biblioteca, destacando semelhanças entre alguns animais. Do lobo, à raposa, passando pelo chacal e o cão, definimos a família dos canídeos. A partir daqui construímos um ficheiro de palavras e imagens escolhidas pelas crianças no computador.
A par destas pesquisas descobrimos algumas curiosidades do coiote como o uivo, as características de uma boa audição, olfacto e visão, bem como comparámos tamanhos entre alguns canídeos.
Este projeto culminou na comunicação à comunidade escolar do jardim de infância, que algumas dúvidas tinha sobre que animal era este.
E assim, num pequeno conjunto de aprendizagens, ajudámos a comunidade escolar a descobrir este animal, ao mesmo tempo que nos envolvemos em processos de conhecimento concretos e significativos para cada um. 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Um dia no Lugar dos Pernilongos

A passada semana visitámos um lugar bem especial. O mote foi a relação aproximada com a natureza, através de um espaço pensado à imagem do quão importante é contactar com os animais da quinta, bem como brincar com materiais reais e significativos.
No Lugar dos Pernilongos para além de reconhecermos alguns dos animais que vemos nos livros, pudemos ainda ampliar este conhecimento, através de novos animais que pudemos alimentar e mimar.
 Já em atelier, pudemos fazer pão, revelando o quão importante é o contacto direto e físico com os materiais. Pelas nossas mãos moldámos farinha, sal, água e fermento, que pudemos provar em casa com as nossas famílias.
Nos entretantos, explorámos num espaço rico em materiais potenciadores de brincadeiras criativas e à imagem do quão importante é brincar com materiais de hoje e antigamente.

terça-feira, 26 de março de 2019

Do museu à sala

Os primeiros passos rumo ao exterior transportam consigo as primeiras imagens construídas. Desta vez fomos ao Museu Colecção Berardo participar numa visita jogo em que o mote foi uma lagartinha muito comilona que se deslocava pelo museu, "trincando" pedacinhos de obras de arte.
Pelos corredores das obras Pop Art, conversámos e brincámos em redor de obras de artistas como Andy Wahrol. 
Já em sala, conversámos sobre esta visita, bem como na biblioteca da escola, procurámos livros de arte onde pudéssemos enriquecer as nossas vivênciais.
Ao folhearmos alguns livros, e através da forma evidente como o movimento Pop Art se pronuncia e, de forma real, representa elementos do dia-a-dia, começaram a soar algumas palavras em redor de obras como:
"Olha a sopa" e "o copo", afirmações em redor da obra Campbell's Soup Cans
"As flores!", referindo-se a obra Ten-Foot Flowers de Andy Warhol
"O popó", "o carro", reconhecido na obra Landscape de Tom Wesselmann

Estes comentários privilegiados, traduziram-se numa manifestação sobre obra Ten-Foot Flowers de Andy Warhol, que nos levou a uma reprodução em continuidade com a Sala da Marta.
Já outra importante componente desta visita ao museu, foi a sensibilização para a questão da cor e do resultado da junção de algumas cores, aspeto este valorizado em escola com as partilhas com a Sala da Marta, que nos convidou a realizar uma experiência de junção de cores.
A partir de processos simples, se revela a forma como é possível sensibilizar as crianças para as expressões artísticas, bem como ampliar o contacto com a arte em sala. De forma contextualizada, e abordando um movimento de arte que espelha o real, ampliámos repertórios e construímos cultura!


"É o contacto real, através da viagem aos locais onde se guardam as memórias culturais dos povos, que a criança constrói a sua identidade cultural, reconhece o seu passado histórico.  A cultura e acesso que temos a ela deverão ser uma prioridade na infância... pois queremos ser, efectivamente cidadãos de pleno direito."

Manuela Guedes em Lugar de Partilha

segunda-feira, 25 de março de 2019

GinastiPAI

Olhar atentamente aos interesses de crianças e famílias, leva-nos a acuidar as nossas ações. Perceber as suas dinâmicas, bem como a forma como se interessam pelo dia a dia da escola, transforma-se numa interessante forma de construir aprendizagens e vivências.
Este foi o mote para o nosso dia do pai. Mais do que um dia festivo, este foi um dia de convidar um elemento da família a estar presente num momento da nossa rotina que tanto interesse desperta. 
Notando a forma entusiasmada como as famílias se despedem das crianças de manhã ao entregá-las num ginásio onde toma lugar uma aula de expressão motora, surgiu um convite aos pais para participar neste momento com os seus filhos. 
Este foi um momento de interessantes interaçoes  entre crianças e destas com os adultos, a par das descobertas de capacidades desconhecidas de pais e filhos. Nesta atividade contámos com o apoio do professor de ginástica, que desafiou as famílias a conhecer e participar nas nossas tarefas preferidas de ginástica.
E porque nos pequenos gestos surgem as memórias mais significativas, decidimos presentear os pais com um pequeno registo fotográfico de momentos de expressão motora. Assim, mais do que uma festividade comemorámos sentimentos, emoções e construímos memórias.

A baleia e a tartaruga levaram-nos ao primeiro projeto

As famílias enquanto reais parceiras apoiam profissionais na descoberta de interesses. Foi assim que na nossa sala surgiu uma interessante pesquisa em redor dos animais grande e pequenos. Deste modo, vários foram os exemplos trazidos até à sala sob várias formas: fotografias, livros, animais de borracha e até peluches. Assim, comunicação a comunicação, chegámos à descoberta de dois animais que muitas curiosidades despertaram: a tartaruga de couro e a baleia azul.
Após a R.L. comunicar ao grupo esta partilha de dois animais em miniatura, bem como das imagens reais dos mesmos, rumámos a mais descobertas nos livros, bem como recolhemos junto das outras salas animais semelhantes ou com alguma relação com os primeiros!

 Logo percebemos algumas semelhanças "É a ah!" (afirma a R.L. ao olhar para um ambiente aquático referindo-se à água) e "os peixinhos vivem na água!"(M.S.) foram duas afirmações sob a forma de primeiras palavras que suportaram estas descobertas.
Já com a ajuda da Sala da Xana, conhecemos melhor as tartarugas com a visita do Tico e Teco à nossa sala. Este momento de partilha fez-nos demonstrar sentimentos (receio, medo ou até o à-vontade com este animal), bem como descobrir características pela observação da dureza da carapaça e até das suas patas que servem para nadar.
Ao longo deste percurso, as histórias trazidas para a sala, foram também motor de descobertas e refletiram o envolvimento das crianças, tal como as partilhas dos irmão e outros elementos das restantes salas. 
A par desta descoberta que a baleia azul e a tartaruga de couro vivem na água, algumas crianças foram revelando interesses sensoriais em contactar com a água, em várias observações que os adultos fazem do dia a dia (o prazer em lavar as mãos, verter copos de água, etc.). Assim, com a ajuda da estagiária Patrícia, explorámos os animais de plástico numa caixa com água, conchas e areia. 
Neste momento foi essencial notar a forma como as crianças se envolveram de forma tão diferenciada na exploração. Enquanto umas privilegiaram o encher e esvaziar das conchas outras preferiram apenas observar, enquanto outras foram revelando reconhecer os animais anteriormente manipulados em outros contextos.
Todo este processo culminou na divulgação deste que foi, afinal de contas, o nosso primeiro projeto. As crianças, para além de ativas ao longo das descobertas que foram sido feitas, revelaram diferentes níveis de participação e foram integradas também nos processos de promoção de circuitos de comunicação pela escola.
Sobe a forma de uma partilha das vivências deste processo, bem como com as primeiras descobertas concretizadas, esta divulgação fez-se acompanhar de um momento de projeção do ambiente marinho, enquanto contacto com o meio aquático, num ambiente de proximidade com as outras salas.
 É aqui que o papel do educador se torna tão especial. Potenciar crescimentos e descobertas, partindo dos seus interesses e curiosidades, ajuda-nos a construir um ambiente de verdadeiras parcerias com crianças pequenas que se sentem cada vez mais integradas em processos. Desde o folhear de um livro, à  exposição de produtos culturais nas paredes, passando pela preparação de uma caixa com conchas, múltiplas são as situações em que podemos integrar crianças pequenas na construção do conhecimento.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Vamos à biblioteca?

Cultivar o gosto pela leitura e contato com a escrita desde cedo ajuda as crianças a construir ideias positivos sobre os suportes que as rodeiam, bem como as suas potencialidades. Histórias, livros sonoros, livros de imagens reais, jornais e revistas, são alguns dos suportes que podem existir nas nossas salas com os quais as crianças podem contactar e buscar informação.
Para além disso, os momentos de leitura das outras salas, como por exemplo das crianças já leitoras do 1º ciclo, apoiam o cultivar deste gosto em crianças pequenas.
De modo a tornar esta riqueza o mais dinâmica e versátil possível, é importante estabelecer rotinas que privilegiem as leituras, bem como estratégias de incluir as crianças no processo de escolha deste tipo de materiais a utilizar em sala.
   
Sentindo necessidade de diversificar o contacto com as histórias contadas pela manhã, iniciámos a tarefas de ida à biblioteca para a escolha de 5 livros a ler durante a semana, tarefa que se repetirá todas as semanas. 
Este foi um momento de grande riqueza de interacções, não só no processo de escolha como na chegada à sala em que a vontade de embarcar nestas novas histórias era já muita. 
Assim, de forma simples e muito participada, fomentamos o contacto com novas histórias, ampliando leques culturais e relacionais.