segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A primeira ida ao parque

Na passada semana vivemos uma experiência única de interacção no exterior. Com o sol a espreitar e as temperaturas a subir um pouco, desafiamo-nos numa ida ao parque, em conjunto com algumas salas da creche e jardim de infância.
Foi um momento mágico e único que traduz o espírito de entreajuda vivido entre quatro paredes que se estendem numa ida ao exterior. 
Desde os preparativos para a saída, bem como  percurso até ao parque, todos os momentos foram excelentes ocasiões de fortalecer relações.
Irmãos que fazem jogos de mímica, baloiços que abanam ao som de canções e até bolachas partilhadas, mágicos são estes momentos de interação entre salas de uma mesma comunidade. Venham mais momentos assim.






segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Autonomia para que te quero

Várias são as componentes que se articulam num dia tipo de sala de creche. Entre elas a autonomia tem ocupado especial lugar aos nossos olhos. Pensar na rotina e no crescimento, é pensar como podemos garantir a autonomia e a participação ativa da criança em situações simples do dia a dia em que a criança pode ter um papel central. 

a rotina diária também mantém um equilíbrio entre limites e liberdades das crianças […] devido [à sua] estrutura predizível e dos seus limites claros e apropriados, dentro dos quais elas se sentem livres para desenvolver as suas próprias formas de fazer as coisas
(Hohmann e Weikart, 2011, p.225)

De facto, neste processo, não nos podemos esquecer da segurança que a criança precisa, bem como da forma como esta se articula com o papel do adulto. Seguem-se situações pontuais onde se ilustra para que queremos esta autonomia...
Depois do sucesso do bolo da sala, fomos convidados a partilha esta receita com a Sala da Mónica do jardim-de-infância. A estes ingredientes, juntaram-se umas laranjas que o M.S. trouxe de casa. Em redor da mesa, todos partilhámos funções e claro que as mãos mais pequenas também quiseram experimentar o espremedor e porque não?!







O lanche acabou e segue-se a higiene. Para além da S.F. já perceber o momento que se segue, dirige-se à porta da sala para se preparar para ir para a casa de banho. Depois da muda da fralda, o adulto sugere-lhe a lavagem das mãos e boca, tarefa em que a S.F. participa de forma ativa e empenhada!

Num momento de preparação para o almoço, os adultos ajudam as crianças a sentar-se, enquanto aguardam a refeição. A M.F., indignada, recusa sentar-se e, quando questionada pelo adulto, aponta para a cesta dos babetes ao mesmo tempo que se aproxima da mesma e retira um babete para colocar ao amigo S.D. 

E assim se garante que a criança tem uma função social e que, acima de tudo, participa em atividades simples do seu dia a dia, numa intima relação com os adulto que o ajudam a tornar-se mais competente, já que  “a autonomia define-se pela capacidade da criança em realizar alguma tarefa sozinha, de forma independente, sem a presença do adulto. No entanto, […] temos que ir muito além dessas concepções, pois, assim como o sujeito se constitui a partir das relações com outros seres e com o mundo, a autonomia também é construída nessas relações”.
Coutinho, A. S., Day, G., & Wiggers, V. (2012)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

A primeira vez em tanto

Ao entrarmos numa sala de creche, todos os dias entramos com a certeza de que hoje será uma primeira vez em algo. Seja na exploração de um novo material, seja no primeiro beijo que se troca com o cuidador ou até na primeira palavra que soa no ar, há sempre algo de novo que a criança acrescenta ao seu entendimento do mundo.
A nossa observação, tão importante, permite-nos tantas vezes perceber a forma criativa como as crianças brincam pelo simples facto de ser a primeira vez que se deparam com algo. Este momento é mágico, não só porque sentimos que lhes estamos a transmitir qual a potencialidade daquele recurso como pela forma criativa como percebemos que a criança é capaz de analisar o mundo.

"aprender com a própria prática é uma atitude possível quando o espaço em que as crianças passam os dias é organizado para favorecer a independência e a autonomia das crianças no acesso aos objetos
(MELLO e SINGULANI, 2014, p. 38)
É nesta atenção comunicativa dos adultos, bem como na riqueza dos espaços,  que as crianças levantam as suas primeiras hipóteses, tecem teorias e reconstroem conceitos, construindo as suas redes neurais.
É também a partir desta participação ativa da criança no espaço, que o adulto é capaz de perceber os seus interesses e necessidades, garantindo que a sua acção será consecutivamente adequada e cada vez mais significativa. 

"garantir um dia tranquilo e feliz para as crianças, promove o desenvolvimento inicial das suas qualidades humanas como a percepção, a memória, a fala, o pensamento, os sentimentos."
(MELLO e SINGULANI, 2014, p. 39)

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

JUNTO - um espectáculo de proximidade

Ainda no mês de dezembro voltámos a viver uma experiência rica no exterior. Rumámos ao Teatro da Trindade para uma experiência muito especial. Para além de toda a aventura que é sair da escola, entrar no autocarro, ver os aviões e afins, o espectáculo JUNTO foi de grande interação e vivência por parte de todas as salas da creche.
"Junto é um espetáculo, uma instalação e um encontro que acolhe, aconchega e nutre de forma próxima os bebés dos 0 aos 3 anos, as suas famílias, amigos e as escolas.


Entramos num espaço em branco e estão dois corpos juntos. Duas tartarugas que não se largam, passam os dias e as noites sempre juntinhas. O espaço é um lugar quente e aconchegado, como a barriga da mãe. Aqui, neste mundo, cabemos todos: pequenos e grandes."

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Quando os produtos culturais sabem a aveia e coco

A culinária entrou definitivamente nas nossas atividades preferidas. Tocar, cheirar e provar são realmente sentimentos privilegiados em sala e estes momentos enfatizam o quão importante é sentarmo-nos em grupo e construir conceitos desde tão cedo.
Desta vez, e partir da sugestão de uma família, visitámos o blog apitadadopai e confeccionámos uns biscoitos de aveia e coco. Para além de utilizarmos ingredientes do nosso quotidiano - a banana, a aveia e o coco - juntou-se uma novidade - o molde de biscoitos. 
De facto este foi o momento alto da atividade. O poder moldar uma massa com as mãos precedeu o momento de perceber a técnica de molde e reproduzi-la de forma tão entusiasta!
 
Molde a molde, biscoito a biscoito, saboreámos estes nossos produtos culturais de forma em especial, num lanche diferente!

Um natal construído com mãos pequenas e outras maiores

O verdadeiro sentido de natal entrou na sala de mãos dadas com a Sala da Mariana. Começámos por enviar um convite em tom de desafio para estes pares nos ajudarem a construir uma árvore de natal para a sala.
A Sala da Mariana logo abraçou este desafio com uma chuva de ideias de técnicas de expressão plástica a explorar connosco. Para além disso, sugeriram-nos construir a árvore com formas geométricas já que este interesse surgiu na sala destes nossos parceiros.
O processo iniciou-se, em pequenos grupos, que invadiram a nossa sala com as mãos cheias de garrafas de tintas coloridas, esponjas, folhas diversas e afins.
 
Para além de um processo verdadeiramente partilhado, estes momentos despoletaram crescimento e aprendizagens já que estas , para muitos, foram as primeiras explorações neste domínio. Desde para que serve a cola, como se usam os pincéis e até como podemos utilizar rolhas e esfregões para pintar, múltiplas foram as experiências vivências.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Numa viagem aos interesses da sala

A forma como os interesses surgem numa sala de creche deriva de diferentes fontes de conhecimento que o meio nos trás. Seja a partir de uma partilha de casa, de uma visita de outras crianças à sala ou até da riqueza do ambiente do dia a dia, diversas são as situações em que a curiosidade se aguça, ou até vários momentos se alinham para a reforçar. 
Foi o que aconteceu quando a M. M. partilhou com a sala um livro com imagens reais de vários animais. A partir de uma leitura em pequeno grupo, logo dois braços pequenos puxaram uma caixa de figuras de animais e desta riqueza as primeiras associações. Entre sons e características físicas, vários foram os diálogos em redor deste interesse da sala.
Noutro momento, e ao ouvirmos a comunicação do projeto da Sala da Mónica sobre as galinhas, surgiram interessantes diálogos sobre este animal da quinta, os seus ovos e até canções a seu respeito. Com a ajuda deste grupo de crianças de 5 anos, criámos na sala um registo com imagens reais de vários animais da quinta que está  ser enriquecido gradualmente.
Porque não depois contar com a riqueza do meio escolar que nos rodeia? Foi o que aconteceu quando o coelho Alberto da nossa escola nos visitou para um contacto direto com um dos animais mais queridos nas nossas leituras.


Decerto estas experiências irão continuar, nesta fascinante viagem por tornar as trocas em sala tão especiais e significativas - ampliando o stock de conhecimento de crianças pequenas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

"Um bolo? Não, o primeiro bolo!"

Aquando encontrada a estabilidade emocional do grupo, é hora de por as mãos na massa. Neste sentido verdadeiramente literal, e a partir de alguns diálogos com a família, realizámos a nossa primeira atividade de culinária. Nestes momentos, já em agenda semanal, consideramos essencial ter em conta as crenças e hábitos alimentares para levar a cabo o nosso primeiro momento de cultura alimentar.
Assim, após a propostas das famílias de visitarmos alguns blogs, livros e conversas de corredor, chegamos à nossa primeira sessão de culinária. Em redor da mesa, entre cheiros, sabores e muita vontade de mexer, conseguimos viver um verdadeiro momento de diálogo e, acima de tudo, prazer.

Este momento culminou com uma partilha do bolo ao lanche com a Sala da Marta Reis como valorização e partilha de um momento que para nós foi tão importante. E que bem que nos soube este momento!

Caminhar de mãos dadas

O processo de adaptação de crianças pequenas na entrada na creche é um período sensível e de grande importância na vida de todos. Ao estendermos a mão à entrada da criança na sala, damos também as mãos à família que é confidente e parceira neste processo. Confidências como "Ela abana as pernas quando está contente" ou "Os seus alimentos preferidos são frutas!" ajudam o adulto que acolhe a melhor conhecer a criança e recebê-la no seu colo.
É com passos pequenos e suaves que os adultos respeitam a criança, garantindo-lhe o tempo que precisa para se apropriar desta nova realidade ao mesmo tempo que iniciam uma relação com a  criança que a irá acompanhar ao longo desta amizade.
Em simultâneo, e a par do egocentrismo característico desta fase do desenvolvimento,  a referida estabilidade emocional vai permitir à criança que encontre neste espaço um novo olhar que lhe permite criar as primeiras relações com os pares mais próximos.
Dois meses depois, encaramos este processo de adaptação como um crescimento de grupo, como um verdadeiro processo de formação de vínculos que decerto nos acompanharão por muitas e novas conquistas.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O diário no nosso dia a dia

No dia a dia de creche o diário ocupa um lugar privilegiado enquanto instrumento de registo do quotidiano das crianças. Englobando duas colunas, este instrumento de pilotagem, potencia uma das questões mais fulcrais no dia a dia em creche - o trabalho cooperado entre os diferentes intervenientes na vida da criança (famílias, equipa educativa e comunidade).  Neste sentido,
Mais do que realizar determinadas práticas, importa assumir a atitude de estar junto e ao lado das famílias, bem como dos colegas de trabalho, para levarmos a cabo esta tarefa tão estimulante, quão complexa, da educação das crianças nas primeiras idades. Assumimos assim a potencialidade conflitual da confluência de diversas perspectivas e saberes, bem como, de diversas preocupações, de forma a evoluir no sentido de um espaço de compreensão recíproca de diálogo e de escuta.
Folque, Bettencourt, Ricardo, 2015

A primeira coluna do diário destina-se ao registo das realizações consideradas mais significativas e é encabeçada pela palavra “Fizemos”. A segunda coluna destina-se ao registo de sugestões, aspirações e atividades a realizar e intitula-se “Queremos fazer”. A partir deste veículo de comunicação, várias foram já as propostas que surgiram, algumas das quais aqui ilustro.

A S.F, tendo passado alguns dias de férias em Viana do Castelo, partilhou com o grupo ouriços e respectivas castanhas que lá encontrou. Com muito cuidado, exploramos, abrimos e acima de tudo a S.F. teve oportunidade de partilhar uma descoberta com a família.
Já o V.D., partilhou com o grupo um livro sensorial, recheado de insectos e animais que fizeram as delícias do grupo. Respeitando o importância destas questões sensoriais, decidimos construir um livro para a sala, com a ajuda de todos e que será em breve exposto e comunicado às restantes salas.
A I.C. pedindo colo diversas vezes para conseguir espreitar para o recreio dos crescidos, despertou um interesse e necessidade de partilhar uma manhã de brincadeira com estes pares mais crescidos. Foi uma manhã de interacções deliciosas e que nos deixou muito mais ricos a todos!

Estes são exemplos práticos de como se operacionaliza de forma tão partilhada e vivida, a gestão cooperada de um currículo em creche.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Partilhas especiais com gestos especiais

As partilhas têm sido momentos fundamentais de encontro, conhecimento e construção comparticipada de conceitos. O facto de toda a escola reunir-se no mesmo espaço possibilita encontros espontâneos, recorrentes e tão especiais!



Para nós, estes momentos são oportunidades de relação, crescimento e aprendizagens tão especiais para crianças pequenas construírem o conceito de cultura humana.


Ao criar a cultura humana — os objetos, os instrumentos, a ciência, os valores, os hábitos e costumes, a lógica, as linguagens —, criamos nossa humanidade, ou seja, o conjunto das características e das qualidades humanas expressas pelas habilidades, capacidades e aptidões que foram se formando ao longo da história por meio da própria atividade humana 

Mello, S. (2007). Infância e humanização: algumas considerações na perspectiva histórico-cultural




Em primeiro, fomos convidados a participar numa atividade de massa maizena na sala da Xana, num momento de exploração sensorial cheia de cores e em companhias que estenderam as nossas descobertas.
Continuámos estas brincadeiras com a Mónica e o Berçário em redor da exploração de massa de moldar de farinha, em parceria com as crianças que nos são tão próximas do berçário.

A Sala da Mónica potenciou ainda a amplitude vocabular com o conto e partilha da história "As aventuras", que estes amigos construíram com materiais e linguagem tão adequada à faixa etária.
Já a Sala da Mariana potenciou uma atividade de exploração de folhas secas que apanharam no parque. A exploração foi deliciosa e colorida tal como as relações estabelecidas.
Que momentos tão especiais temos nós vivido!